
DATILOGRAFIA URBANA
Escrita, Escuta e Linguagem como Acontecimento

Paloma Klisys articula sua presença criativa em espaços públicos e ambientes imersivos por meio de dispositivos tecnológicos, práticas de escuta e processos de escrita performativa.
Sua pesquisa investiga a potência da linguagem quando esta se desloca do campo da leitura para o da ação, ativando situações em que a palavra se manifesta como acontecimento — adquirindo espessura temporal, configuração espacial e uma intensidade perceptiva que incide diretamente sobre a experiência do público.
Datilografia Urbana integra o conjunto de propostas que compõem o repertório da artista e sintetiza, de forma particularmente precisa, algumas das linhas de força de sua investigação.
O termo, cuja origem etimológica remete ao grego dáktylos (dedo) e graphía (escrita, inscrição), é reconfigurado para além de sua acepção histórica como técnica. Na prática de Klisys, a datilografia deixa de nomear um procedimento instrumental e passa a designar uma operação contemporânea de inscrição performativa, na qual linguagem, escuta e espaço urbano se articulam como um campo relacional em permanente ativação.
A obra desenvolve composições poéticas a partir de textos previamente elaborados, que se entrelaçam com vozes, ruídos, silêncios e interferências captados durante ações em espaços públicos e contextos imersivos.
Elementos provenientes da interação com o público, da paisagem sonora e das condições específicas de cada ambiente são incorporados como material compositivo ativo, por meio de procedimentos precisos de interação controlada e abertura ao imprevisível.
Klisys opera com dispositivos de escrita performativa — interfaces híbridas que articulam gesto, som e inscrição visual — concebidos como zonas de mediação entre corpo, tecnologia e espaço. Nesse contexto, a escrita abandona sua função de registro para afirmar-se como acontecimento performativo: um campo de intensidades no qual ritmo, textura e reverberação operam como estruturas de sentido.
A cidade transforma-se em território poético e sensorial, e o ato de escrever estabelece-se como uma forma de presença situada, atenta às dinâmicas do entorno.
Datilografia Urbana: Escrita Performativa em Contexto Urbano propõe uma expansão da poesia para o domínio da experiência coletiva, da escuta e da percepção acústica. A obra investiga como a linguagem se articula no contato entre corpo, tecnologia e ambiente, construindo um campo de experimentação que conjuga rigor formal, sensibilidade crítica e estratégias de interação, sem subordinar a abertura ao contexto à perda de consistência compositiva.
A obra pode ser apresentada em diferentes idiomas, adaptando-se aos contextos culturais e linguísticos em que é ativada. Essa flexibilidade não opera como tradução literal, mas como deslocamento poético e performativo da linguagem, preservando a estrutura conceitual do trabalho e ativando novas camadas de sentido em diálogo com cada território.
O idioma, nesse processo, torna-se mais um elemento compositivo, integrado às dinâmicas de escuta, presença e relação que constituem a obra.
Com trajetória internacional e atuação contínua em contextos dedicados às práticas híbridas da linguagem, Paloma Klisys desenvolve uma poética marcada pela precisão conceitual e pela abertura perceptiva.
Sua pesquisa afirma a escrita como espaço de escuta, relação e invenção, inscrevendo sua obra em um território de diálogo ativo entre som, palavra, imagem e público, onde a linguagem se configura como experiência compartilhada, situada e em permanente transformação.
Datilografia Urbana: Escrita Performativa em Contexto Urbano
Eixos conceituais
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Datilografia Urbana: escrita performativa que transforma o espaço urbano em território poético e sensorial.
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Linguagem como acontecimento: a palavra entendida como ação estética, temporal e situada.
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Escrita como performance: o gesto da linguagem ativado em tempo real.
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Interação controlada: incorporação deliberada de vozes, sons e presenças externas como material composicional.
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Escuta ativa: o espaço como campo de ressonância e construção poética.
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Corpo–dispositivo–ambiente: experimentação das relações entre gesto humano, tecnologia e contexto espacial.
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Poesia híbrida: dissolução das fronteiras entre literatura, performance, som e audiovisual.



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Performances de escrita e som
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Instalações visuais e sonoras imersivas
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Peças de rádio arte e composições audiovisuais
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Livros de artista e experimentações tipográficas
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Intervenções urbanas e vídeo-performances
Formatos de apresentação
A obra Datilografia Urbana insere-se em um campo de práticas contemporâneas que investigam a linguagem como matéria em ação e a escuta como dispositivo crítico.
Ao articular escrita, som e tecnologia, Paloma Klisys desloca a poesia do espaço da representação para o da presença, produzindo situações em que público e contexto operam como agentes constitutivos do processo.
Sua prática estabelece um diálogo consistente com investigações internacionais sobre performatividade, linguagem e experiência coletiva, configurando-se como uma proposição simultaneamente rigorosa — no sentido de sólida capacidade de execução — e aberta, capaz de se adaptar a diferentes contextos expositivos e programações sem perder sua integridade conceitual.